Collor foi o inventor do twitter de José Serra

2009 Novembro 7
por Paulo Ghiraldelli Jr.

twitandoOs partidos são elementos próprios das democracias. Os populistas e os tiranos, tanto na esquerda quanto na direita políticas, odeiam os partidos. Eles fazem tudo para eliminar os partidos, pois estes obrigam as coisas a funcionarem por discussões, acordos, comissões e negociações. Os populistas e tiranos, se puderem, encerram os partidos. Caso não possam, tentam mantê-los sob seu domínio completo. A idéia do populista e do tirano é falar diretamente com “o povo”. Ele e o “povo” são irmãos, e o resto é interferência que “retarda” as realizações “necessárias para a nação”.

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O “conhece a ti mesmo” e o pecado original do filósofo

2009 Novembro 6
por Paulo Ghiraldelli Jr.

nb_pinacoteca_daumier_socrates_and_aspasia“Você viu isso com seus próprios olhos?” – a toda hora fazemos cobranças desse tipo, quando as pessoas falam de coisas, situações e acontecimentos que temos dificuldade em acreditar.  Damos uma enorme importância para o testemunho direto dos sentidos e, em especial, ao da visão. O olho é o privilegiado. Uma boa parte das metáforas que usamos na nossa linguagem são metáforas visuais ou ligadas ao olho. Falamos em “visão” para concepção ou para perspectiva. Falamos em “um olhar” para um tipo de interpretação. Ficamos muito satisfeitos quando o testemunho é direto dos olhos e, se usamos algum aparelho, é para potencializar os sentidos. Desse modo nos agarramos a microscópios e telescópios.

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Você é um candidato a fascista?

2009 Novembro 5

1958. Hanna Schmitz (Kate Winslet) volta para casa após mais um dia exaustivo de trabalho. Caminha rápido pelo escuro corredor que dá para a escada de sua kitnet, mas não sem perceber que havia pisado em uma poça de vômito. Ela se volta e localiza em um banco, no corredor, um adolescente que ali havia parado por se sentir mal no caminho entre a escola e sua casa. Hanna limpa o chão e, em seguida, o acolhe. Cuida dele. O garoto, meses após, ao melhorar de saúde, volta ao local para agradecer. Ele é Michael Berg (Ralph Finnes), um bom menino de classe média alta, culto, e inicia com Hanna um romance de verão. Algo fantástico e sedutor para ele, uma vez que Hanna não é só uma linda mulher, mas é também mais velha. O que Hanna mais gosta é de sexo e de ouvir Michael ler livros para ela. Uma vez com ela, Michael ganha confiança em todas as suas atividades – torna-se “o homem” rapidamente. Hanna é mais velha, sim, mas, para ele, tem a sensibilidade de uma criança. Todavia, um dia após uma promoção no serviço de ajudante de cobrador em uma companhia de bonde, Hanna desaparece sem deixar aviso. Este é o resumo esquemático e grosseiro da primeira metade de The Reader[1].

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Da (falta de) etiqueta de Deus

2009 Novembro 2
por Paulo Ghiraldelli Jr.

god“Quando um burro fala o outro murcha a orelha” – esta era a forma pela qual meu avô, um bom rábula, tentava reforçar o a admoestação de minha mãe sobre a minha conversação na mesa do jantar. Ela dizia: “quieto que seu avô está conversando com seu pai, não interrompa”. Meu pai nada dizia. Mas meu avô, para me dar atenção e, ao mesmo tempo, poder retomar a conversa com genro, utilizava desse expediente. Não era para que eu abaixasse a orelha como um burro isolado, solitário, mas sim acompanhado por ele mesmo, que se punha como um igual a mim na condição de burro. Eu era tão pequeno que não entendia direito a brincadeira dele, mas ela funcionava. Anos mais tarde tentei isso com meus filhos. Devo ter feito algo errado ou, talvez, aquilo só pudesse funcionar dentro do triângulo eu-mãe-avô, pois com meus filhos as coisas foram muito diferentes.

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Serra e a educação: a falta de capricho no final

2009 Novembro 1
por Paulo Ghiraldelli Jr.

Serra odeia professor?A Rede Globo sempre começa uma novela de modo grandioso e termina de modo pífio. Falta capricho no final. Todos que assistem são unânimes em dizer, “ah, o final foi esquisito”, “ah, podia ser bem melhor” etc. A pressa em acabar e já começar a outra novela sem perder o “ibope”, o comercialismo em exagero, acaba com os grupos de interpretação da Globo.  O PSDB, tanto com Fernando Henrique quanto com José Serra, é bem parecido com a Globo nisso.  Os tucanos às vezes, começam bem, impressionam mas, no decorrer das últimas ações, perdem o capricho.  É exatamente isso que Serra fez com a idéia (também minha) de escalonar a carreira do professorado por mérito intelectual individual.

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De House a Rorty

2009 Outubro 31

houseO senso comum do cientista e do profissional liberal diz a seguinte regra: deixe de fora as paixões e as intrigas e busque tratar cada caso ou situação de modo objetivo. Por esta regra, o médico, por exemplo, deve concentrar sua atenção exclusivamente na doença, e esta é entendida como o que se manifesta em um setor do corpo ou do psíquico (o que vale para o advogado, o engenheiro, o professor etc).

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O que é a filosofia como política cultural?

2009 Outubro 28

rorty1. Introdução

O pragmatismo é um método para a verdade. Foi isso que disse um dos principais representantes dessa filosofia, William James, no início do século XX. No término do século XX, Richard Rorty, o análogo de James para a nossa época, insistiu que se cuidássemos da liberdade a verdade cuidaria de si mesma.  Ora, o que mudou no pragmatismo em cem anos?

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Silva, 64

2009 Outubro 28
por Paulo Ghiraldelli Jr.

Lula MijaUm conhecido jornalista de O Estado de S. Paulo gostava – e creio que ainda gosta – de contar um “causo” sobre Lula. Ele remetia o crédito do episódio a um ex-petista, um radical que já havia estado entre a cúpula do partido.

Contava o jornalista que o nosso Presidente Silva, quando ainda era só o Lula sindicalista, uma vez na cadeia girava de um lado para o outro, desesperado para “dar uma”. À noite, um garoto pertencente a um desses grupelhos de esquerda, também na cela, deixou as coxas e uma parte das nádegas de fora. O futuro Presidente Silva, vendo aquela beleza de pele lisa e branquinha, não tardou em imaginar no lugar do garoto uma ninfeta petista, daquelas que Zé Dirceu não perdoava em nenhuma convenção ou até mesmo em organização de diretório no interior. Em segundos o futuro Presidente Silva colou no menino e, então, não precisou de muito carinho e conversa para saltar por sobre a presa e dar-lhe “um trato”. Nem se ouviu o tradicional “que é isso companheiro?”, tamanho era o carisma do sindicalista sobre suas bases. E dizem que o futuro Presidente Silva ainda comentou, “e que bases!”.

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Zé Carioca em ritmo de desventura

2009 Outubro 26

O Rio de Janeiro era a capital do Brasil. Dentre as nossas cidades, era a mais cosmopolita. Era o nosso cartão de visita e o centro mais politizado do país. Tudo que acontecia no Brasil ocorria antes ou com a melhor intensidade no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, o Rio acumulava a condição de cidade turística acolhedora, onde imperava a liberdade. Nossa liberdade, no Rio, era tão ampla quanto a Baía da Guanabara vista do lá Cristo Redentor. Durante o dia as musas da praia inspiravam os poetas. À noite, nas boates, excitavam o marido alheio. Esse foi um tempo em que nós podíamos ter coisas bem parecidas com aquelas que outros povos tinham, ou seja, o carteado, a roleta, o lança perfumes, a social democracia cabocla do Partido Trabalhista de Jango e o republicanismo rebolante e conservador de Carlos Lacerda.

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O que é filosofia para a escola média?

2009 Outubro 19

Vol. 2Se há uma coisa que realmente me irrita é entrar em uma livraria e encontrar lá “A filosofia na sala de aula” ou “A filosofia para crianças e jovens” ou “Filosofando com alunos” etc. Não, não sou contra a disciplina “filosofia” na Escola Média. Ao contrário, fui das primeiras vozes a brigar por ela e escrevi na imprensa, em várias ocasiões, às vezes solitariamente, o quanto deveríamos ler Platão na escola tanto quanto tínhamos de ler Machado de Assis ou saber as leis de Newton. O que traz dissabor são os livros que falam sobre o assunto e, no entanto, são escritos por pessoas que não se preocupam, elas próprias, em produzir algo em filosofia. Ou seja, é aquilo que os primeiros educadores do Movimento da Escola Nova no Brasil denunciavam: o beletrismo – fala-se sobre o assunto, mas não se fala no assunto. Traduzindo: uma boa parte dos que discutem na Universidade o “ensino de filosofia” não escrevem, eles mesmos, um manual de filosofia ou história da filosofia que possa ser realmente utilizado pelo aluno. O resultado disso é parecido com as teses de ensino a distância: não param de ser produzidas por gente que até hoje nunca conseguiu fazer o próprio blog!

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Filosofia da bunda, poesia dos seios

2009 Outubro 17
por Paulo Ghiraldelli Jr.

FrenteCarlos Drummond de Andrade foi mineiro recatado, funcionário público e poeta. Diferente de Fernando Pessoa, que teve mais de oitenta pseudônimos e, talvez, tantas personalidades quanto este número (mostrando que ele não era pessoa, e sim pessoas), Drummond teve vida mais fácil, pois se viu na condição de conviver apenas com três pessoas diferentes em si mesmo.

O Drummond poeta escreveu poesias eróticas, picantes mesmo. O Drummond funcionário resolveu não as publicar. O Drummond mineiro as deixou em lugar fácil de serem achadas, para que alguém as publicasse como póstumas.

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Por que a religião se preocupam tanto com o sexo

2009 Outubro 12
por Paulo Ghiraldelli Jr.

Religião e SexoAs religiões são formas de moral popular. Nietzsche acertou ao nos lembrar disso.  Para além do que podem dizer crentes e anti-crentes, é difícil negar o caráter pragmático-moral das religiões, aquilo que William James chegou a identificar com a verdade do credo religioso. As sociedades modernas, nascidas dos ideários laicos do século XVIII, sabem dessa utilidade das religiões. Assim, a esperança de todo governo político moderno é de que, se há o que não tem uma vida dirigida por uma moral fornecida por um código laico, pode-se apostar que este, ao menos, não escapará de ter um código moral mínimo, dado por sua religião ou pelas difusões desta.

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Em meio ao tsunami da informação

2009 Outubro 10

O abraço do textoLogo após a crise do PT de 2005, a professora Marilena Chauí escreveu que não era dada à prática de ler jornais.  Uma parte da juventude, já decepcionada com ela por causa da sua defesa pouco racional do PT, ficou mais inconformada ainda com tal declaração. Afinal, ela, que tanto fez na imprensa, chegando até a ter uma coluna semanal na Folha de S. Paulo, uma vez vendo a imprensa ter de malhar o PT, agia como a avestruz: cabeça enfiada no buraco, xô realidade. Era isso?

Não vou dizer que não era. É claro que Marilena estava magoada. Ninguém coloca 40 anos de sua vida em uma proposta política e, então, vendo tudo desmoronar, aceita o destino com tranqüilidade. Todavia, as pessoas esperam que o filósofo saiba enfrentar coisas assim com sabedoria. Até mesmo quem não tem uma idéia correta do que é um filósofo, quer acreditar que se trata de um intelectual que tem a mente aberta, alguém que pode mudar de idéia, pode engolir adversidades sem teimosia. Essa cobrança recaiu sobre ela. Veio então o tal “silêncio obsequioso”. Marilena se recolheu à academia e desta à aposentadoria. Uma vez no Conselho Nacional de Educação, justamente ali, onde poderia falar grosso, parou de falar.

Nas cambalhotas desses passos pouco alvissareiros, penso que Marilena acertou em alguma coisa. Atirou no que viu e acertou no que não viu. Ela acreditou que não deveria mais dar importância à imprensa porque esta estava distorcendo tudo. Acertou, mas não pelo que falou, e sim pelo que não falou.

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Estupro e objetividade jornalística

2009 Outubro 4
por Paulo Ghiraldelli Jr.

samanthaJamais saberei se o cineasta Polanski estuprou ou não Samantha. Portanto, não tenho nenhuma opinião sobre o caso, se ele é ou não culpado. Sei o que todos sabem e que, enfim, podem saber: principalmente que, agora, 32 anos após o caso, Polanski está no drama de ser extraditado ou não para os Estados Unidos, para responder à acusação de crime – sexo com menor, ao menos. Assim, meu texto é só indiretamente sobre essa notícia. O que escrevo é diretamente relacionado ao modo como o jornalismo pode falar de uma notícia desse tipo.

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E não é que os deuses antigos eram brasileiros!

2009 Outubro 3

OLIMPÍADA/ELEIÇÃO/RIO 2016Os gregos antigos viviam em cidades-estados independentes. O que fazia alguém que morasse em Atenas ser tão grego quanto alguém que morasse em Esparta ou Tebas não era a política, mas a religião e a língua. Estes eram os dois elementos culturais que faziam o tebano se achar tão grego quanto o ateniense e o espartano. A Grécia não era um estado, um país, mas era uma nação. Inclusive, essas cidades-estados guerreavam entre si – para valer. Mas havia uma época em que entravam em paz. Era a época dos Jogos Olímpicos.

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O país em que o passarinho comeu os homens

2009 Setembro 28

Bird Luciano Huck chegou a mais de um milhão de seguidores no twitter. É o primeiro brasileiro a alcançar essa marca. Não é o microfone da Rede Globo que ele tem agora. É algo até maior que isso. Ele tem um milhão de pessoas que escutam o que ele tem a dizer, livremente. Mas ele não tem absolutamente nada a dizer. A fama, o empurrão da Globo, a riqueza e, enfim, o twitter lhe dão a oportunidade de dizer algo que será realmente ouvido pela juventude, mas ele não diz nada. É um dos casos mais fantásticos de inutilidade na conquista da liberdade.

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Por onde anda Mr. Spock?

2009 Setembro 18
por Paulo Ghiraldelli Jr.

“…Of my friend, I can only say this… of all the souls I have encountered in my travels, his was the most… Human.”

- James T. Kirk (Star Trek II: The Wrath of Khan)

Musas - As Três Graças - RafaelVocê imagina que Mr. Spock deixou a USS Interprise e, com a aposentadoria de Vulcano e mais alguma ajuda do serviço de previdência privada americana, se diverte em Las Vegas não com jogos, mas com tiradas de pretensão satíricas, pseudo-nietzchianas, jogadas contra os humanos que ali se acotovelam em cassinos e shows. Você imagina também, creio eu, que Spock não faz muito sucesso com essa sua performance. Afinal de contas, esse tipo de postura já não é nenhuma novidade e, agora, com o Dr. House na TV, vai ser difícil alguém reinaugurá-la durante um bom tempo. Além do mais, sua única verdadeira “vítima”, o Dr. Leonard “Bones” McCoy, faleceu em 1999. E quanto ao Capitão Kirk … bom, vamos esquecer, virou um tio atarracado, que adora desempenhar papéis com traços afeminados. Encontrei-o apresentado Sandra Bullock em desfiles de misses, onde a moça era uma agente da CIA etc etc.

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O que é política, afinal?

2009 Setembro 16

Obama no bump!- “Oz zome lá de Brasília é tudo cambada”.

- “Nossa, êssis pulítico, tudo ladrão”.

-  “Vixi, temo até um anarfabeto comu presidente!”

- Ah, não quero saber de política não, é algo chato, triste.

- “Voto por obrigação, acho até que o voto não deveria ser obrigatório.”

As frases acima podem ser encontradas na boca dos brasileiros. Colhi algumas, que escuto sempre.  Não raro, entre alguns aposentados, jogando damas em banco de jardim, escutamos também isso:

- “Tá um roubo só, us políticu num tem jeito, deveria fechar esse congressu aí”

Esse tipo de frase não é algo alvissareiro. Mas não revela, felizmente, um sentimento atual generalizado. Não estamos em 1964. Uma boa parte da população prefere mudar as coisas pelo voto e, quiçá, pela participação nas discussões da vida pública. Mesmo que não tenha informações sobre o que foi regime militar (1964-1985), a maioria concorda que não deve ter sido algo bom.

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Além do Iluminismo (ou fotografia e filosofia)

2009 Setembro 13

Câmera escuraO século XVIII é conhecido como o “século da razão” ou “o século do Iluminismo” ou “o século da filosofia”. As três expressões se fundem nos textos dos intelectuais da época e, depois, nos dos historiadores. A filosofia deve se utilizar da razão, e esta, por sua vez, deve jogar luzes sobre tudo que pode não estar sendo tomado corretamente, por estar sob alguma penumbra. A atividade da razão, no século XVIII, já não corresponde somente à atividade da razão pura, e sim ao trabalho de articulação da razão com a investigação de elementos empíricos para, enfim, por na mesa o conhecimento. Mas, de qualquer modo, a metáfora utilizada é que faz desta atividade uma tarefa única, a de jogar luzes sobre o que abraça. A razão clareia e clarifica. Uma vez tendo ela esparramado seus arautos, tudo fica claro, tudo fica iluminado e, assim, pode ser entendido e compreendido.

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Uma gota de sangue … azul

2009 Setembro 9
por Paulo Ghiraldelli Jr.

CAPA GOTA DE SANGUE_WEBA direita brasileira não quer que exista aquilo que sempre existiu, ou seja, uma carteira de identidade na qual se registra a cor do indivíduo.  Não quer isso porque tal carteira, agora, com a política de cotas para o ensino superior, supostamente daria o direito de negros ricos entrarem na universidade com menos nota do que um branco pobre ou rico.

A esquerda brasileira é a favor da política de cotas raciais nas universidades. Faz a defesa de tal política dizendo que é um elemento de “justiça histórica”, pelo fato dos negros terem sido escravizados e, depois, favelizados e discriminados pelo preconceito. Além disso, acredita que tal política alavancaria a educação dos negros de modo mais rápido.

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