Skip to content

Violência nas Escolas

14/11/2008

Filósofo explica violência nas escolas

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “Violência nas Escolas“, posted with vodpod

 

Uma escola da zona leste da cidade de São Paulo foi depredada. Os alunos trancaram os professores e quebraram tudo. A diretora desmaiou e várias crianças ficaram desesperadas com a briga dos alunos mais velhos. As coisas só não pioraram por causa da intervenção da polícia militar, que agrediu e foi agredida. Isso ocorreu ontem, dia 12 de novembro. Dia 13 de novembro, hoje, uma multidão tentou invadir a escola. Eram pais – isso é o que diziam.

Não se trata de “vandalismo” ou “violência na escola”. Não cabem aqui tais termos. Sabemos que a situação da escola pública está ruim, mas até então não tínhamos tido um caso desses, típico de atos de gang organizada. Tudo que ocorreu, e que pode ocorrer em qualquer lugar do Brasil na escola pública de hoje, não pode mais ser jogado nas costas de pais, alunos, professores, diretores e “comunidade”. É necessário termos uma visão com um instrumental da filosofia. E a filosofia diz claramente que o leque de relações que detonam uma situação desse tipo tem a ver com o poder. Tem a ver com o poder político. O que ocorre é que a escola pública brasileira está sem projeto, sem política, sem salário, sem cuidado, sem importância.

Falta para o jovem que está na escola projetos que visem dar ele “um lugar ao sol”, que o destaquem e o promovam.

O governador José Serra, de São Paulo, que deseja ser presidente da República, teria que ter um projeto educacional melhor. Não se pode ser candidato à presidência para repetir Lula, que não tem projeto nenhum na área educacional. A secretária de educação de São Paulo, a socióloga conservadora Maria Helena de Castro, que tanto gosta de estatísticas, deveria perceber que a estatística sobre violência de alunos contra professores é absurda: mais de 80% dos professores já sofreram alguma agressão física, na escola, ao longo da carreira. E ela, secretária de Serra, não pode ser uma cotada para ministra da Educação do governador, no futuro, pois sua ação é de descaso para com o ambiente escolar público. Da maneira como ela age, vai apenas repetir as mentiras do atual ministro Fernando Haddad. São os conservadores agindo como os progressistas e vice versa.

Aliás, Fernando Haddad tem um defeito grave no seu currículo. Ou melhor, dois defeitos. Um primeiro é que ele todo dia tem uma idéia nova, ideológica, para colocar na imprensa, mas não realiza nenhuma. Um segundo é que ele é um estranho para a escola pública e ela é ainda mais estranha para ele. Seus filhos não fazem escola pública e ele não confessou que isso é devido a escola pública ser ruim, ele quis passar a idéia de que isso foi uma opção familiar, pois ele próprio não fez a escola pública e então optou pelo mesmo para os filhos. Ora, de fato, ele nunca pisou numa escola pública antes de ser ministro. Não sabe o que é. Esse é o defeito de nossos governantes. O presidente Lula nunca pisou na escola, de fato, porque é desescolarizado; e o ministro dele nunca pisou na escola pública porque sempre foi rico demais. Então, quando há o caos na escola pública eles realmente não têm nada a dizer. A violência na escola e a deterioração do ensino não são preocupações deles, pois não faz parte da vida deles a vida escolar estatal.

Assim, ricos demais e desescolarizados demais se unem no governo Lula – e eis que a educação vai para caos. No plano estadual, José Serra nomeia uma secretária fraca, que só fala em estatísticas, quase igual a Haddad. Mas a real atenção dela, para com a escola pública, não existe; pois é bem no nariz da secretaria de educação que o vandalismo ocorreu. Bem na cidade de São Paulo, em uma escola pública de grande porte. Talvez tenhamos de assistir, ainda por cima, como medida do estado sobre o caso, alguma punição sobre a diretora e professores, e não o carinho, a atenção e a melhoria de salários. Acompanhem e verão!
Tudo isso já vinha se refletindo, na semana passada, na Fuvest: caiu em 58% a procura dos cursos de licenciatura e pedagogia. Os jovens não querem mais ser professores. Isso ocorreu dois anos depois do ministro Fernando Haddad ter declarado que a prioridade dele era a geração de professores, a melhoria da carreira do magistério e, principalmente, o aumento do número de professores formados pelas universidades públicas e pelas particulares de bom nível. O número da Fuvest mostra o fracasso do ministro.

Mas o ministro tem mais falas fáceis: vem anunciando que o orçamento do MEC para o ano que vem será “o maior da história”. Tudo nesse governo Lula é o maior da história! Vai ser triste ver que com o orçamento “maior da história”, ao terminar sua gestão, Fernando Haddad irá obter o prêmio de ter sido o ministro que mais começou projetos e o que não terminou nenhum e nem deu seqüência honesta a algum. Fernando Haddad gosta da mídia. Tudo indica que ele aprendeu o caminho do Paulo Renato, o ex-ministro da Educação: um cargo de deputado dá um salário melhor do que professor da USP e, além disso, não tem que ficar obedecendo seus ex-orientadores lá no departamento de sociologia – que são loucos para mandar nele. E mandam!

Assim, aí está o quadro que o PT e o PSDB constroem para nossa educação. Eles não têm nada a dizer para a juventude e para os professores e diretores. Nada! Sobrou tudo para nós, os cidadãos. Vamos ter de trabalhar sozinhos. Talvez seja melhor. Antes só que mal acompanhados, não é?

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo http://ghiraldelli.ning.com

2 Comentários leave one →
  1. Zeca permalink
    19/11/2008 12:28

    Interessante esse vídeo. E principalmente o desfecho do filósofo se oferecendo gratuitamente para prestar uma consultoria aos diretores de escolas. Foi um ato de caridade? Penso que sim, pois isso pode melhorar a vida de vários estudantes atendidos pelo Paulo, mas não ocorrerá uma mudança estrutural na nossa educação. A caridade é sempre benéfica? Quando estamos na rua e alguém nos pede esmolas devemos dar? Como a filosofia se posiciona ao ato de caridade, seja ele financeiro ou não? Segue a sugestão para mais um post desse filosofo que vem me estimulando sobremaneira. 

  2. Zeca permalink
    19/11/2008 12:29

    A carinha não foi 🙂

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: