Skip to content

O Gambá de Tromba e a Larvinha Sumida (ou Do SUS e a troca de sexo)

28/11/2008

gambafante pequeno

[Escute no Podcast Filosofia]

Era uma vez um gambá. Falava como gambá, andava como gambá e gostava de gambás. Cheiro? inconfundível: gambá. Mas não se parecia propriamente com um gambá por uma razão simples: tinha uma trombinha. Uma tromba de elefante? Quase, mas não! Era uma trombinha.

Era um gambá muito pobre. E de tromba! Que desgraça. Pior só mulher barbada. Enquanto todos os outros animais da selva viviam tranquilos, o gambá de tromba não tinha paz. Nem ânimo para nada. Pois não era nada, nem elefante e nem … Nem gambá! Sua única chance de se parecer com um gambá e, então, sair do pesadelo que era sua vida era contar com a ajuda de um fundo que todos os animais guardavam ali, para eventualidades da floresta.

Muitos dos animais dali possuíam problemas e queriam reservar o dinheiro para resolver cada um o seu problema. E o gambá havia aparecido com um problema a mais – um novo problema! Que chato.

Mas, enfim, os animais se reuniram e votaram: o problema do gambá de tromba foi considerado como tão grave quanto o de outros pois, afinal, ninguém mais podia olhar para o gambá: uns riam e outros se espantavam. Era um gambá ou um monstro? Alguns não ligavam, mas outros diziam isso mesmo – sai monstro. Com tal dinheiro do conjunto do pessoal, ele deveria cortar a tromba – esta foi a decisão da assembléia.

Não era fácil cortar, mas tinha de ser feito.

Quem votou contra o direito do menos favorecido de usar o fundo dos animais da floresta? Ah, sim, um bicho esquisito, parecido com uma larvinha. Começou a gritar e ter crise. Batia o pé e virava o olho e xingava. “Não, não e não”. Há muita coisa para se fazer com esse dinheiro, não podemos gastá-lo com a tromba do gambá – eis o que afirmava a larva. E com tanta balbúrdia que fez, interrompeu a votação.

No dia seguinte o gambá morreu. Não conseguiu viver uma vida como gambá, e muito menos como elefante. Viveu um inferno. E a vida, também a dos gambás, é uma só. Todo mundo procurou aquela larvinha danada, para lhe falar umas poucas e boas, mas não a encontraram. Na verdade, ela já estava voando longe, havia se transformado numa borboleta.

2008 Filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: