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E vem Dilma, e vem plastificada

23/12/2008

 

Dilma, ainda vivaDilma Rousseff passou por uma cirurgia plástica. Foi uma cirurgia puramente estética. Ele imagina chegar em 2009 com rosto mais vendável eleitoralmente.

 

Ela era a laranja do Lula, dado que a candidata verdadeira era Marta Suplicy. Marta tropeçou nas minorias e outros detalhes, e perdeu o bonde. Dilma começa a acreditar que será promovida de laranja à opção fatal.

 

Do mesmo modo que Pitta, empurrado por Maluf, e Fleury, empurrado por Quércia, Dilma imagina poder sair do anonimato e fazer um segundo turno com Serra. Uma vez no segundo turno haveria então a campanha pelo “voto progressista” contra a “tenebrosa direita”, levando Ciro Gomes e outros no embrulho. Ainda assim as chances seriam poucas? Nem tanto, caso Lula pudesse fazer mais ainda nos bastidores. Lula poderia fazer Aécio Neves trair Serra, oferecendo mais cargos a Minas do que Serra poderia dar. E então, com Dilma Presidente, o PT conseguiria manter seus quadros no governo por mais anos, dando continuidade ao que os petistas um dia chamaram de “revolução pelo voto”.

 

Toda essa operação não é simples. Depende não só de habilidade política, mas de sorte. Mais um elemento para Dilma imaginar que pode dar certo, uma vez que sorte não falta para Lula. Ele é bem mais sortudo do que propriamente habilidoso. Então, diante de chances que já não são mais as da pura laranja, Dilma foi para a faca. Em pleno Natal, ela se submeteu a uma cirurgia plástica. A maioria das mulheres imaginaram fazer isso para “pegar o verão”. Dilma quer mais que um simples verão. Que todas as estações que imagina ter direito. E um rosto mais jovem e uma expressão menos carregada é o essencial no momento.

 

Cada vez mais fica claro que na política não há mais espaço para rostos sem plástica ou sem algum tipo de intervenção. Kennedy inaugurou o uso da imagem na TV, impondo-se nos debates por meio de um sorriso largo e olhar amigável; e daí para diante os americanos começaram a associar as suas campanhas políticas com as atividades de suas celebridades. Barack Obama não teve o caminho aberto pelo senador Jackson apenas, mas talvez até mais por Denzel Washington. O sorriso do negro americano – que Denzel deixou marcado nos últimos anos – deixou há muito de representar o Harlem turbulento dos anos setenta para vir a ser o beijo da família americana ligada na “Oprah”.

 

Patricia Pillar, sempre deslumbranteO Brasil iniciou a “candidatura do corpo” com Fernando Collor. Ney Latorraca notou isso muito bem na época. Fernando Henrique e Lula tiveram de passar por verdadeiras reformas visuais para serem aceitos para além do grupo eleitoral a que pertenciam e, então, tentarem um vôo maior, o da eleição para a presidência. É claro que nenhum deles se elegeu exclusivamente pelo visual do corpo. Mas nenhum deles arriscou não passar pela forte e cuidadosa modificação do visual para tentar.

 

Eu já havia apontado anteriormente que Dilma tinha um problema grave como candidata: rosto de cachorro pequinês. Um nariz pequeno e arrebitado de forma estranha associado a uma boca com dentinhos pequenos já eram o bastante para apresentar tudo aquilo que impressiona negativamente o eleitor. Além disso, os olhos juntos, com óculos horríveis e um penteado de “tia velha” davam ao conjunto do seu visual um ar tétrico, talvez cômico. Ao lado de Lula, já de barba branca e meio carcomido, era a visão do inferno em um palanque. Será que os médicos conseguiram senão consertar isso ao menos fazer o básico para, então, alguém encaminhar a coisa para um possível banho de loja – e que não seja ninguém do staff de Dona Marisa Letícia para dirigir o banho.

 

Não pense que isso é humor ou desrespeito. Não é. Dilma sabe disso – e foi fazer a plástica. Ela própria está convencida que é muito feia para ser candidata. O Brasil não é a Venezuela. Candidatos feitos a machadada, aqui no Brasil, homem ou mulher, não colam mais de modo algum. Podem sobreviver como prefeitos ou vereadores. Até como governadores. Todavia, em uma campanha nacional, o homem precisa se apresentar com o ar sóbrio do estadista, e a mulher como ainda dando no couro sexualmente. Sei que no caso de Dilma isso é difícil. Mas ela vai ter de dar um jeito.

 

Afinal, vamos supor que o embrulho progressista do Lula não vá adiante e um Ciro Gomes escape do controle e desponte sem trégua. Já imaginaram você sair de um comício da Pátria Pillar e encarar uma Dilma?

 

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo.

 

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