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Primeiras Damas

23/12/2008

Carla Bruni“Diga-me com quem anda e te direi quem és”. Como presidentes supostamente devem andar com primeiras damas, então dizemos “diga-me que primeira dama tem e te direi em que país está”.

 

O estilo Sarkozy é o do “novo rico”. Mesmo sendo de direita, ele é pouco culto para um presidente francês. É adepto do jeito Figueiredo, sempre no “deixa que eu chuto”. Não poderia ser diferente, pensam alguns: ele tem de ter uma Carla Bruni ao lado. É bom para a direita ter de mostrar na mesa do jantar a primeira dama completamente pelada após ter visitado nossa favela de vestido de bolinha.

 

Torço para o dia em que também a esquerda tenha lá suas primeiras damas, caso forem tão bonitas quanto Carla, a posarem peladas. E que não seja desrespeitada essa lei do “tão bonita quanto”. Pois sempre temo um “terceiro mandato”.

 

E olha, por falar em “terceiro mandato”, o populismo deu boas primeiras damas. Apesar de Chavez ter sido feito a canivete (por um escultor míope), ele tinha lá uma primeira dama apresentável. Só que ele pouco democrático que não quis dividir nem mais a cama – dispensou a sua primeira dama.

 

O estilo Barack Obama é o da “esquerda politicamente correta”, mas sem ser chata. Não podia faltar ao seu lado, portanto, alguém que fosse líder, harvardiana, mãe cuidadosa, jovem e etc etc etc. Jackeline tinha quase tudo isso, e um pouco de Carla Bruni. Mas teria um defeito para nossos tempos, não era negra. Michelle LaVaughn Robinson Obama é perfeita.

 

Sem dúvida que Jack Kennedy perdeu seu charme diante dos americanos ao optar antes por ser bilhardária com Onassis que se manter casada com a herança do patriotismo – o que significaria uma viuvez cheia de escândalos. Preferiu terminar em uma ilha só sua que nos tablóides de fofocas. Fez o certo para ela, mas deixou todo o povo americano de água na boca, esperando Michelle.

 

De modo algum podemos esquecer, é claro, Hilary Clinton. Impecavelmente loira, sorridente, inteligente e, mais que tudo isso – para os americanos –, capaz de sustentar o baque da infidelidade pública de Bill, ela acabou por … transcender. Tanto que deixou de ser primeira-dama para se tornar dama-de-ferro. Irá ser a Henry Kissinger de Obama, um cargo difícil, dado que Condolezza Rice o exerceu bem, se considerarmos que desde o início sabia-se que Bush a colocaria em péssimos lençóis ao levar adiante uma política externa pouco habilidosa.

 

Agora, nenhuma das primeiras damas do mundo teve a importância de Eleonor Roosevelt. Ela financiou a fuga de intelectuais europeus durante o nazismo. Assumiu o posto de advogada pública dos Direitos Civis. Fomentou os trabalhos que levaram o mundo a ter de se comprometer com a Carta dos Direitos Humanos. Talvez tenha sido a primeira dama que mais entendeu o que é ser uma primeira dama.

 

No Brasil as primeiras damas são apagadas. Quando Ruth Cardoso faleceu houve um auê dos conservadores. Mas ela não foi nenhuma primeira dama especial. Calou-se diante do PFL e aceitou um papel submisso à frente de um projeto menor que, inclusive, jogou a educação como assistência social e não como função pública.

 

É claro que Maria Tereza Goulart, pela sua beleza e juventude e, enfim, pelo modo digno que enfrentou o ataque covarde dos golpistas de 1964, tinha de se destacar. Mas, é sabido, Maria Tereza ficou com título de “aquela que deveria ter sido”. Não houve oportunidade para o marido e, portanto, menos ainda para ela.

 

Das primeiras damas mais recentes, outra que teve presença na imprensa foi “Dona Dulce”, esposa do Figueiredo. Mas, como sabemos, foi uma época em que tudo vinha para a imprensa, uma vez que estávamos usufruindo de liberdade e estávamos prestes do final do regime militar. Não tínhamos tido a chance de falar de outras esposas de generais-presidentes e, então, descontamos tudo na “Dona Dulce”.

 

Roseane Collor tive uma passagem tão pouco comemorativa quanto a de Fernando, seu marido. Foi corneada também, de público, mas ninguém esperava outra coisa. Dentuça, nanica, burra de doer, ela até que foi perdoada pela impressa, que poderia ter tripudiado bem mais.

 

Agora vamos de Marisa.

 

Marisa foi cobrada por alguns pelo fato de não fazer absolutamente nada, a não ser usar o cartão de crédito da presidência e, é claro, desfilar um guarda roupa só equivalente ao dos camarins de Carmem Miranda. Caso não tivesse tido “mensalão”, nós, de esquerda, iríamos falar que piadas contra a Marisa era “preconceito de classe”. Crucificamos Chico Anísio pela piada do final dos anos 80, na primeira candidatura do Lula. Foi ele o autor daquela que dizia que Marisa iria ter muito trabalho no Palácio, uma vez que o número de janelas de vidro ali não era pequeno. Que horror! Fizemos Anísio pedir desculpas publicamente. Mas agora, após o “mensalão”, todos nós de esquerda ficamos mais soltos para também recontar piadas bem piores – ou melhores, dependendo do momento.

 

Bom, mas para terminar em uma situação agradável, voltemos a Carla Bruni. O que há de tão bom nela? Bem, você pode começar pela foto acima e seguir a pista. “Google her”

 

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo.

Não perca o site das First Ladies dos Estados Unidos.

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