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MEC em 2009: mais propaganda, menos ação.

01/01/2009

“Os brasileiros são uns bobos”. O ministro da Educação Fernando Haddad pensa isso de todos os brasileiros? Pode ser que ele não tenha nunca dito isso, mas a última ação do MEC vai exatamente nesse sentido. Em 2009 o MEC vai diminuir seu ritmo de realizações produtivas sensivelmente, e vai ampliar de maneira estrondosa sua propaganda sobre esses mesmos serviços.
O que digo não é boato, é fato. Os dados são anunciados pelo MEC, sem qualquer constrangimento.
Ou seja, o MEC triplicou a quantia destinada à, em relação a 2007. Ao todo, serão mais de 28 milhões de reais. Este ano, em 2008, o MEC gastou 18 milhões.
Mas o problema não é só este. O que faz com que a medida do MEC seja estranha é que, concomitantemente, a maioria dos programas do ministério irá passar por reduções substanciais de gasto. A verba destinada ao MEC foi reduzida em um bilhão pelo Congresso Nacional.
Bom, mas alguém pode dizer que estou de má vontade com o Governo, e que o corte foi feito pelo Congresso Nacional e, enfim, Lula não teria tido tempo de agir. Poderiam dizer, ainda, que Fernando Haddad vai fazer propaganda de seus programas, mesmo sem dinheiro, para conseguir dinheiro mais tarde, e não para ver suas possibilidades políticas pessoais crescerem. Será? Então notem isso: quem foi o relator que, afinal, cortou o orçamento do MEC em mais de um bilhão foi o senador Dulcídio Amaral, do PT – homem de confiança do Presidente, condutor da CPI do “mensalão”.
Na prática, o que o Congresso fez foi colocar água fria em mais de 60 ações do MEC. Isso não significa só o corte de iniciativas, mas mais dinheiro perdido do que podemos imaginar, uma vez que algumas dessas ações estavam em andamento. Muitas ações só iriam resultar em algo por conta da sua continuidade.
Assim, nossa crítica já não é mais voltada para a possível incapacidade do ministro Fernando Haddad. Nossa observação, neste caso, vai nesta direção: ele não vai terminar o que iniciou certo ou errado, e como percebeu isso, resolveu jogar o dinheiro para o comum destino de quem passa pelo MEC: candidatura.
Na realocação de dinheiro, o MEC resolveu eliminar alguns projetos. Fernando Haddad eliminou o programa de combate à violência sexual sobre crianças e adolescentes. Além disso, colocou de lado, de uma vez, o programa Brasil Quilomba. Prestem atenção, pois é capaz da propaganda, que pegou o dinheiro desses programas, acabar falando na TV exatamente de como tais programas estão indo bem.
Mas o mais interessante é a luta do ministro da Educação para se tornar popular no meio educacional. Então, uma boa parte do dinheiro do MEC será alocada para sustentar os gastos de uma “conferência nacional de educação”. Todos nós sabemos que de conferências o ano letivo está repleto. E quando o governo patrocina algo assim, é para que o ministro possa aparecer. Afinal, ele fez um livro sobre educação (uma compilação do PDE) e não conseguiu vender o livro. Nem de graça as pessoas querem o volume. Fernando Haddad é indicado do PT para ser candidato a algo no Distrito Federal, mas ele teme não ter o apoio dos educadores. Então, nada melhor que uma conferência nacional de educação para ele aparecer mais um pouco e “amarrar as bases”. A verba para propaganda é para tal.
Apesar do gasto com educação ser menor, o gasto com a própria estrutura do MEC não diminuiu. E o que é mais significativo: em um país onde os pobres precisam do governo, novamente o governo do PT reproduziu o esquema dos governos “das elites”. Pois o Programa Brasil Universitário acabou sendo ampliado. A educação dos adultos universitários saiu ganhando, em parte, se compararmos com todos os cortes feitos no conjunto do orçamento.
Mesmo que não saia candidato a nada, Fernando Haddad não tem mais perdão, pois não tem lógica fazer propaganda daquilo que não se tem dinheiro para realizar.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo

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