Skip to content

Saramago acima do sagrado do Outro

05/01/2009

Saramago anti-semitaEstá na hora de alguém ter a coragem de dizer que Saramago não é bom escritor. Está na hora de dizermos, também, que a filiação de Saramago ao comunismo português, que ainda era estalinista mesmo no auge do Eurocomunismo, não é nada diferente do que foi o fascismo português.  Já passou do momento de falarmos mais claro: Saramago, deixe de onda, você é anti-semita e não está ajudando em nada o momento atual.

Saramago ganhou Nobel por um livro fraco. O prêmio foi um ato político, no pior sentido da palavra “político”. A língua portuguesa vinha capengando em termos de representatividade, e o prêmio foi uma bela trama. Na guerra das hegemonias de idioma, alguém da língua portuguesa foi lançado no palco para barrar outras disputas maiores entre línguas mais poderosas e competitivas. Saramago sabe disso. E como sabe disso, imagina que tudo em que há política é tão sujo quanto foi esse seu prêmio. Ele odeia a política. Como Hitler a odiava. Como Stalin a execrava.

Saramago resolveu fazer o que todo militante de extrema-direita faz, em cada um de nossos países no Ocidente: ataca a ONU. Claro! O melhor modo de fazer os nacionalismos se exacerbarem e os fundamentalismos tomarem o lugar da razão é dizer que a Declaração dos Direitos do Homem não valem nada, e que a ONU é uma peça decorativa. É que a ONU faz política, ela precisa negociar e negociar e negociar para conseguir consenso sem guerra. Ali é o fórum para tal. Saramago odeia a política e a negociação. Ele acha isso tudo sujo, como foi o seu prêmio. Então, ele usa dessa idéia tipicamente nazista – a de limpeza – para atacar o órgão supranacional. Ele é o limpo. Limpo é o que não faz política, não negocia. Assim era a URSS: era limpa, pois seus congressistas não faziam política, tinham de agir como funcionários estatais. Seguia-se a idéia de Lênin: o congresso deve funcionar como órgão meramente técnico, como os correios.

Todavia, além dessas besteiras todas que vem falando, agora, já mais velho, a caduquice soltou a língua de Saramago para além da responsabilidade que todos nós temos de ter, aos sermos escritores. E ao perder o senso de responsabilidade, Saramago finalmente mostrou sua verdadeira face. Comentando o conflito de Israel com o Hamas na faixa de Gaza (artigo “Gaza“), ao invés de agir como mensageiro da paz e fazer uma análise das agressões de ambos os lados, ele derrapou para o terreno religioso. Atacou os judeus no ponto exato em que é inadmissível o ataque: a religião.

Saramago poderia ter dito tudo, menos ter ofendido o Deus judaico. Em um tratado de religião ou de história da religião poderíamos escrever que o Deus judaico é um Deus antes de justiça dura que de amor. Isso seria aceito por qualquer judeu inteligente. Todavia, ele chamou o Deus judaico de rancoroso e, assim fazendo, deu mais um passo errado, criou uma ligação direta entre a ação desse Deus e o cerco de Israel ao Hamas. Isso não se faz. Um homem que recebe um prêmio Nobel não poderia desonrar o prêmio dessa maneira.

Eis um trecho de seu escrito infantil, mas perigoso:

“Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.” (Artigo: Gaza) (grifos meus)

Que isso aí sirva de lição aos que negociaram o prêmio em favor de Saramago. Não se deve dar um prêmio grande a um homem pequeno. Um homem grande, nessa hora, não escreveria isso que ele rabiscou.

O homem pequeno, como Saramago, não sabe usar o poder do Nobel que tem para a defesa da fraternidade, da paz, da união dos povos. Ele ataca o organismo de união dos povos e, pior que isso, ele usa a língua portuguesa para ofender os israelenses em um momento delicado.

Não é nem um pouco sábio – e muito menos justo – ofender os israelenses por meio de um ataque ao Deus judaico. O soldado israelense é um cidadão de Israel, ao contrário de muitos países onde o soldado é mercenário ou um simples profissional. Atacar o soldado israelense desse modo e dizer que a educação de cada cidadão de Israel esta errada, e que eles ao serem religiosos da forma que são se tornam más pessoas; ora, isso não é só imprudência, é o pior do anti-semitismo. Durante séculos os anti-semitas fizeram esse tipo de ataque ao povo judeu. Ninguém na Terra tem autoridade para isso. Nem nos Céus. Os deuses de cada povo são sagrados não só para cada povo, mas para cada homem de inteligência que não os cultua.

Caso Saramago quisesse realmente escrever algo político, em favor do povo palestino, ele deveria ter analisado o balanço de forças entre o Hamas e Israel. Deveria ter se perguntado a razão desse conflito justamente agora, poucos dias antes da posse de Obama.

Todos os bons analistas estão apostando que o conflito surgiu agora para poder trazer os Estados Unidos de volta ao Oriente Médio. E o Hamas quer ser o interlocutor privilegiado perante o povo palestino. Assim, os ataques do Hamas a Israel eram provocação para o público interno. E a resposta de Israel, sempre despropositada em termos de força, cria a guerra. Ora, mas qual o quê, Saramago não quer falar nada disso. Ele não tem como objetivo a prosa analítica e a busca da paz. Ele quer o “quanto pior melhor”. Pois, no fundo, seu ódio aos Estados Unidos e à Israel é herdeiro do seu estalinismo de juventude. Saramago nunca conseguiu, por meio da literatura, se tornar uma pessoa melhor que isso.  Sua literatura é fraca, não podia mesmo ser auto-educativa.

Quando queremos atear fogo em um conflito, todos nós sabemos que a melhor maneira é atacar as entidades sagradas de um dos lados. Só por isso Saramago deveria ter seu Nobel cassado. Em hipótese alguma, com o que disse, ele ajuda o povo palestino. Aliás, ele não quer ajudar palestino algum. Saramago não tem pátria, nem deus algum, ele é daqueles comunistas velhos que acredita que tem a ciência nas mãos, contra a religião. Ele se acha um iluminista francês falando contra a religião. Ele é um escritor decadente, um homem de má índole que precisa ser internado em uma clínica de repouso antes que comprometa ainda mais a nossa língua portuguesa com sua vontade de ver o circo pegar fogo. Saramago não tem mãe. Nunca teve. Caso tivesse, seria hora de lembrá-la.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo

4 Comentários leave one →
  1. 10/01/2009 22:12

    Obrigado pela leitura e veja mais, venha para nossa rede social no http://ghiraldelli.ning.com
    Paulo

  2. 15/01/2009 18:06

    Laura, que bom incentivo! Continue a ler e fazer críticas. Vivemos delas!
    Paulo

  3. Roberto Pereira permalink
    19/01/2009 0:26

    Paulo, você gosta de gibi?
    Tem (ou teve) algum título de sua preferência ou largou tudo e não lê mais nada?

    Eu quero dar-lhe de presente meu livro “Mundos Sem Sol”.

    Como posso enviar-lhe?

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: