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Mulher, corpo e formas na política

12/01/2009

Dilma Plastificada, piorou!Mulher feia tem de ser simpática. Isso ajuda. E muito! Mas Dilma não é simpática. E após a plástica ela não conseguiu outra coisa senão piorar. Isso inviabiliza a campanha de Lula para fazer o sucessor, que parece que vai terminar com Dilma-Candidata-de-Verdade, ex-Laranja.

 

Ou seja, para o PT ganhar essa próxima eleição para a Presidência haverá a necessidade da atuação da máquina governamental de um modo tão violento que pode até dar efeito contrário. Serra precisará fazer uma campanha muito ruim para perder. Ele não é bom governador e nem bom candidato, mas diante de Dilma … não terá de fazer muito.

 

Dilma vai precisar de um empurrão forte. E o PAC não é um bom empurrão, não para ela.

 

O PAC não é o Plano Real. Não tem a visibilidade daquele plano. Lula se sairia melhor com um plano que fosse mais a cara dele, por exemplo, a Caça ao Boi no Pasto, que foi o mote da campanha de Quércia naquele pandemônio da derrocada do Plano Cruzado – lembram?  Mas, por enquanto, Lula não conseguiu caçar ninguém. Conseguiu apenas evitar de ser cassado. E arrumou Dilma, plastificada.

 

Disse e repito: as campanhas políticas no Brasil não podem mais desprezar o corpo. O homem não precisa ser bonito, mas não pode ser asqueroso. Um homem nojento, que baba quando come, do tipo de um sem pescoço que conheci, pode se eleger prefeito do interior da Paraíba. Pode até ser vereador em São Paulo. Mas, para ser candidato à Presidência, onde a exposição é maior, é necessário mais que isso. O homem não precisa ser bonito, mas deve aparentar alguma qualidade física que o disponha para a mitologia do cargo no sistema presidencialista. Agora, no caso da mulher, a questão é outra.

 

Casal KennedyA mulher requer mais que o homem para se colocar candidata. Não digo quanto à inteligência. Mas quanto à beleza – um específico tipo de beleza. Bem mais que o homem, a mulher é corpo. E quando digo corpo, digo também, é claro, movimento corporal e rosto. Falo em corpo vivo, não é cadáver ou manequim. E para sabermos coisas a respeito disso há pesquisas que mostram como que alguém pode ou não se colocar na mídia. E a nova ciência da visibilidade está bem mais avançada do que os incautos e incultos imaginam.

 

Obma pensativoUma pesquisa interessante sobre o comportamento das pessoas diante de objetos vistos, e que elas precisam ver segundo interesses de quem mostra o objeto, foi levada adiante por uma importante companhia internacional de publicidade. Alguns intelectuais – poucos – têm estado atentos a isso. Notem: os homens esboçam um quase sorriso quando enxergam seios à mostra; as mulheres esboçam sorrisos quando se deparam com chocolates ou um bebê. Mas as pessoas sorriem muito mais quando olham o fusca New Beetle. Isso iria depor contra a minha tese? Não! Pois as pessoas sorriem com o fusca pelo fato dele ser compacto, arredondado e … lembrar o velho fusca ao mesmo tempo que projeta algo novo. O retrô que não é retrô encanta. E as formas dizem tudo. Ele mostra o que deve ser o bom do velho para se apresentar no futuro. E não foi à toa que se chegou no resultado que se chegou, não foi “por acaso”. Houve longo estudo psicológico e social na base do design obtido.

 

JFK PresidenteQuando voltamos ao corpo dos políticos, isso se recoloca. O bom corpo do candidato é aquele que lembra o corpo de outros que deram certo, que tinham a mesma disposição, mas o novo corpo não pode ser uma réplica. O corpo precisa mostrar que ele tem tradição em um determinado campo visual, mas, ao mesmo tempo, precisa representar o futuro. É necessário que não apareça como fruto de uma máquina do tempo, mas fruto da invenção inteligente.

 

Para muitos americanos – como já foi mostrado também por pesquisas – o corpo de Obama lembra o de Kennedy: jovem, disposto e, quando necessário, malhado. O rosto de Obama tem algo de carismático, na tradição de Kennedy: olhos caídos e sorriso largo. A América precisa sorrir; o sorriso de Bush nunca foi o sorriso do “americano médio” e nunca foi o sorriso que outros mostraram para o mundo, e que tornou os americanos populares mesmo entre seus inimigos. Todos nós sabemos disso. Obama sorri de forma nova, não é o sorriso de Kennedy. É um sorriso mais … ingênuo, digamos. As pessoas que gostam do New Beetle gostam do visual de Obama. Também isso é mensurável. Também isso foi mensurado.

 

Essas ligações entre o visual e o objetivo que se tem com ele são cada vez mais exploradas no campo educacional e no campo do marketing, se é que alguém, hoje em dia, consegue pensar esses dois campos como coisas separadas.

 

Volto à plástica de Dilma. Ela piorou. Qual a razão? O que Dilma lembra? Dilma lembra Dilma. Mas quem era Dilma? Ninguém. Mas o principal da minha argumentação começa agora.

 

Obama MichellePerto do Lula, Dilma fica mais feia ainda. Pois quando olhamos o Lula, temos um impacto desagradável. Ele é atarracado, gordo, meio que suado mesmo sob ar condicionado. Então, imediatamente nossos olhos se voltam tentando fugir daquela figura e encontrar alguma mulher bonita (ou coisa equivalente) para recompensar o mal estar, e eis que encontramos o quê? Algo também desgradável: Dilma. Atarracada, baixa, olhos miúdos e juntos, boca pequena com lábios murchos, um cabelo arredondado de “tia velha” e agora sinais de uma plástica que a “esticou” em alguns lugares, deixando outros à mostra e, assim, dando uma heterogeneidade na superfície, na pele, que causa estranheza. Os olhos tentam escapar desse visual, e não há para onde ir. A questão investigada é simples: quando Dilma é apresentada sem Lula, ela causa repulsa, quando Dilma é apresentada junto com Lula, ela causa frustração. O olhar foge de Lula e então fica mais cansado ainda ao não encontrar nada ao redor, apenas Dilma.

 

 

Alguns dirão que minha observação é preconceituosa. Mas não é. Trata-se do trabalho de um filósofo que não dispensa o campo empírico. As pesquisas de agências de publicidade mostram isso: a maioria das pessoas que olham para Lula desviam o olhar, e quando acham Dilma no campo visual, desviam mais depressa ainda. É algo imperceptível, mas os estudos de platéias filmadas mostram bem isso. O efeito é o inverso da visão do New Beetle – eles nunca esboçam sorrisos espontâneos. E alguns chegam mesmo a fazer gestos de desgosto com a boca. Não se trata de uma visão prazerosa. E isso, na política, em especial para um candidato que é desconhecido, é uma barreira enorme. Mesmo o eleitor politizado está sujeito a tais atitudes e, assim, também ele demora em ouvir Dilma. Há quem tenha já cronometrado esse tipo de demora. As pesquisas continuam.

 

Aliás, essa também é uma pesquisa interessante. As pessoas começam a escutar Dilma a falar muito depois do que começam a escutar outros ao lado dela. E não são poucos os que se dispersam quando ela fala. Qual a razão? O visual. O rosto de Dilma é mais insuportável que o de outros políticos com quem ela anda, e então as pessoas desviam o olhar, e quando tentam voltar a prestar a atenção, o discurso não tem o poder arrebatador que precisaria ter. Aliás, no caso de Dilma, há também o problema da voz e a entonação, que são muito antipáticas. A tendência é o público esperar ela acabar de falar, aplaudir e, então, recomeçar a prestar a atenção. Ainda não há, no caso, uma pesquisa que indique de modo mais exato o tempo da dispersão do público e os graus disso quanto a candidatos. Mas há quem esteja trabalhando nisso faz tempo. E todos que eu conheço garantem: Dilma é algo difícil de empurrar em todos os sentidos.

 

Dilma não é culpada disso. Ela é apenas a mulher errada na hora errada e no lugar errado. E pior, com o rosto errado. Nem com plástica dá para engolir. É claro que mesmo assim, pode ser um dia Presidente. Quem não pode? Mas Dilma é o exemplo de uma escolha que só uma pessoa que confia na sorte faria. Lula se acha sortudo. E de fato é sortudo.

 

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo

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