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Globo versus Macedo: o Diabo Contra Deus na Macedônia de Lula

17/08/2009

Lula e MacedoO que a Rede Globo denuncia sobre Macedo, o dono da Igreja Universal, já era conhecido dos mais escolarizados. Os vídeos mostrados com Macedo ensinando alguns vagabundos a se tornarem “pastores” estavam no Youtube faz tempo. Os crimes apontados como sendo de responsabilidade de Macedo já haviam saído em outras reportagens de vários meios de comunicação em épocas diferentes, no passado recente. Então, por que a Globo investiu só agora, de um modo mais violento, contra Macedo, para solapar a base da Record? Ela investiu agora, sim, pois somente agora a Justiça começa a cercar Macedo de um modo claro, o que permite a reportagem. Então, família Marinho achou oportuno dar a cacetada “para valer”.

O problema é que o tiro da Globo pode sair pela culatra. Melhor seria ter feito apenas uma reportagem, denunciando Macedo. Fazendo mais de uma, com os mesmos fatos, ela ateou fogo no rabo de um monstro. Este monstro tem do seu lado nada mais nada menos do que Deus ou “o sangue de Jesus” e coisas do tipo. O outro lado, os próprios escolarizados, da esquerda, ensinaram: é o Diabo – a Rede Globo. Quem vai ficar do lado do Diabo?

A reação de Macedo é como a reação de Lula na época do “mensalão”: vai buscar apoio no que resta de barbárie institucionalizada pelos bolsões de pobreza e de raciocínio curto, que não são pequenos em nosso país.  Macedo usa do esquema da Record, com um padrão de discurso jornalístico muito mais apelativo que o da Globo, podendo mentir de modo descarado. A Globo não pode mentir de modo descarado, por razões fáceis de ver: ela tem seu público nas camadas mais  escolarizadas, e não só no Brasil. A Record não tem a audiência da Globo, então, Macedo precisou imitar ainda mais a estratégia do Lula: ir para às ruas. Ou mais corretamente, para os templos. Ali estão milhares de brasileiros que, nem sempre, são os muito pobres e desinformados. Por motivos diversos uma pessoa pode ficar contra a Globo, mas, em síntese, o motivo central pode ser aquele mesmo que Collor conseguiu colocar a seu favor na época que venceu Lula – a vingança contra o poder.

Collor venceu Lula porque representou a raiva contra as elites. Ao falar que “caçaria um marajá por hora”, exterminando a raça dos funcionários públicos de altos salários, ele deixou os ricos tranqüilos, pois nenhum rico mesmo, de verdade, é funcionário público. Com isso, acalmou a direita. Então, todo seu discurso populista seguiu seu curso tranqüilo, podendo alimentar o ódio popular contra quem se saiu bem por razões, principalmente, de ter passado em concurso ou por ter alguma ligação “com os de cima”. Pois o pobre não odeia o rico, o pobre odeia o pobre que ele acha que é pior que ele, mas que, para sua infelicidade de invejoso, conseguiu uma situação salarial estável.  É aí que Collor teve cabos eleitorais.

Lula fez mais que isso. Pois Lula, diferentemente de Collor, é um sortudo. Pegou os trabalhadores organizados por conta de seu passado de sindicalista. Isso não é pouca gente. E agrupou ao PT ou adjacências do governo, além dos trabalhadores, os miseráveis – invejosos ou não. No segundo mandato, com a política da bolsa-para-tudo, oficializou o populismo renovado e, então, fechou o cerco contra toda a oposição. É nesta base outrora de Collor e de parte do segundo mandato de Lula que Macedo tem o núcleo do seu público mais fiel. É neste lugar que ele pesca.

Entre estes, há aqueles cujo funcionamento cerebral foi comprometido – por diversas razões. As estatísticas do país mostram que, no Brasil, pode haver mais de 20% da população em estado intelectual “limítrofe”. São pessoas que parecem normais, e de fato são, mas possuem uma capacidade de aprendizagem restrita e, caracteristicamente, são muito suscetíveis ao tipo de técnica retórica utilizada pela velha “lavagem cerebral”.

Os fiéis de Macedo são pessoas que não só pagam para entrar no Céu, mas que acreditam realmente que as mãos de Macedo, cheias de dólares ilegais, curam qualquer doença, como aparece nas historietas da Bíblia, quando Jesus sai tocando aqui e ali e levantando até defunto. São pessoas que jamais conseguiriam entender o caráter metafórico e moral da Bíblia. Elas não são pessoas que acreditam em milagres, simplesmente, são pessoas que acreditam que Macedo faz milagre – ele e mais ninguém que não seja aqueles que ele ordenou. São pessoas que olham para os templos da Universal e, só pelo tamanho daquilo tudo, dizem: “é grande, então, vai me acolher, é tão grande como deve ser mesmo a casa de Deus”. São pessoas que quanto mais você diz que o milagre de Macedo é feito pelo dinheiro que elas dão para ele, mais elas ficam com raiva dessa denúncia, pois elas olham para Macedo como um igual, como alguém que, como elas, pode ser vingado por Deus. Deus pode aparecer para dar um trança-pés na mulher que tenta tirar seu marido ou esbofetear o patrão que lhe obriga a fazer hora extra ou jogar a gripe suína para escanteio. Macedo desperta na mentalidade popular o resto do pior paganismo. Pois, que se tenha claro: a mentalidade popular é mais antiga que os dois mil anos de cristianismo e, enfim, o cristianismo não deu combate radical ao paganismo, mas se aliou a ele. Então, tudo que há de mais distante do racional, está tudo ali, no fundo do poço dos neurônios. Eis aí a matéria prima de Macedo.

É claro que existe gente assim, como os fiéis da Universal, em toda e qualquer religião. Algumas religiões protestantes e, até, mesmo, dentro do catolicismo, há várias pessoas mentalmente fragilizadas, infantilizadas mesmo. Todavia, o catolicismo, ao menos no Brasil, por ter sido religião quase oficial mesmo na República, colocou-se durante muito tempo como a religião da classe média e, portanto, dos escolarizados. Além disso, de fato, o catolicismo guarda um patrimônio cultural que o faz se aproximar da filosofia. Por ainda estar presa a uma tradição de cultivo da razão, a Igreja Católica perdeu seus fiéis para uma religião que explora o pobre de um modo nunca visto antes.

Para Macedo fazer o que faz, ele não depende só do pobre, depende também da disposição de parte dos que vão até seu templo para se submeterem à lavagem cerebral. Estes, os que são mais dóceis a Macedo, são os “limítrofes”. Essa massa bárbara, agora, está enfurecida contra a Globo. Quem for num templo da Universal verá: mulheres gritando histéricas dizendo que nunca mais assistirão a Globo. A família de Roberto Marinho duvida, acha que ninguém resiste às suas novelas. Mas, e se a Record não for destruída? Não pode ela criar uma novela daquelas de tipo mexicano, pior do que o quase lixo chamado “Caminho das Índias”? Pode! E, talvez desta vez, possa aparecer um competidor menos frágil que o Sílvio Santos.

Como se dá, então, a disputa de Deus contra o Demônio, de Macedo contra a Globo?

A Rede Globo é, neste caso, o arauto do Iluminismo, a proposta de um Brasil democrático, laico, republicado e, talvez, serrista. Essa é a Rede Globo que está na cabeça daqueles que, uma vez dentro dela, precisam falar a favor dela. Ex-mariocovistas, sempre acharão que Serra é “tudo de bom”. Mas, ela é, também, a Rede Globo que veio da Ditadura Militar, que criou Collor, que usa seus tentáculos para se associar a todo e qualquer governo que coloque as estatais pagando, com o nosso dinheiro, propaganda daquilo que não precisa de propaganda, como a Petrobrás, por exemplo.

Então, por ter esta perna manca, a Globo não atrai muito os intelectuais, de modo a colocá-los no seu palanque. A Globo, ela própria sabe, não tem em seu público intelectuais, ela tem, é certo, ligado a ela, uma camada de pseudo-escolarizados que, na falta de outra coisa, acaba escutando as baboseiras raivosas de Jabor e assiste, aqui e ali, algum entrevistado do Jô Soares.  Aliás, para muita gente da Globo, Jabor é um intelectual!

Os intelectuais não reacionários do Brasil, que poderiam agora dar um empurrão no Jornal Nacional e, com isso, atirar dardos no peito de Macedo, estão acuados. Temem colocar a mão no fogo pela Globo. Além disso, muitos ficam apavorados, também, ao imaginar que podem perder a benção de um amigo, vizinho, aluno ou até patrão. Pois os membros da Universal, “estão em todos os lugares”. E mais: uma boa parte dos intelectuais brasileiros, como se viu no caso do “mensalão”, são covardes. Querem antes saber de que lado Lula está para, então, tomar posição – e sempre a favor do “Presidente do Povo”, é claro!

Macedo chama Deus para atacar a Rede Globo que, segundo os marxistas, era ideológica e, então, era o Diabo na Terra. Mas, agora que a Globo fala a verdade, os marxistas estão atados, e estão com medo de ficar do lado do Diabo, contra Deus. Os da esquerda, em geral, são ateus. Mas, a força de Macedo os está convencendo que Deus existe, e que eles devem ficar quietos, pois Deus vai puni-los por tantos anos de ateísmo. A Rede Globo vai ter de defender a nossa democracia sozinha. Não faz mal que ela defenda a democracia por interesses próprios. Para um filósofo como eu, o importante é que alguém defenda a democracia. Pois, se o monopólio da Globo nos meios de comunicação é antidemocrático, o fato de Macedo roubar os pobres, não pagar impostos e tentar criar o monopólio de acesso a Deus, é mais ainda.

Paulo Ghiraldelli Jr.,

filósofo http://ghiraldelli.pro.br

Rede social: http://ghiraldelli.ning.com

One Comment leave one →
  1. pcsj2006 permalink
    27/08/2009 8:54

    “No Brasil, 20 % das pessoas tem capacidade intelectual limítrofe”…..

    “Na Alemanha, 20 % das pessoas são de uma raça inferior”……

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