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Silva, 64

28/10/2009

Lula MijaUm conhecido jornalista de O Estado de S. Paulo gostava – e creio que ainda gosta – de contar um “causo” sobre Lula. Ele remetia o crédito do episódio a um ex-petista, um radical que já havia estado entre a cúpula do partido.

Contava o jornalista que o nosso Presidente Silva, quando ainda era só o Lula sindicalista, uma vez na cadeia girava de um lado para o outro, desesperado para “dar uma”. À noite, um garoto pertencente a um desses grupelhos de esquerda, também na cela, deixou as coxas e uma parte das nádegas de fora. O futuro Presidente Silva, vendo aquela beleza de pele lisa e branquinha, não tardou em imaginar no lugar do garoto uma ninfeta petista, daquelas que Zé Dirceu não perdoava em nenhuma convenção ou até mesmo em organização de diretório no interior. Em segundos o futuro Presidente Silva colou no menino e, então, não precisou de muito carinho e conversa para saltar por sobre a presa e dar-lhe “um trato”. Nem se ouviu o tradicional “que é isso companheiro?”, tamanho era o carisma do sindicalista sobre suas bases. E dizem que o futuro Presidente Silva ainda comentou, “e que bases!”.

Histórias como essa ainda povoam os salões em festinhas de determinados grupos de nossas elites mais conservadoras. Alguns jornalistas, sempre publicamente ciosos de afirmarem que falam a verdade e somente a verdade, adoram contar casos assim, para mostrar aos homens e mulheres do dinheiro que eles “sabem das coisas”. Querem impressionar mostrando que conseguem informações sobre o que se passa até mesmo no banheiro do Presidente Silva, ontem e hoje. Contando tais casos com palavras amenas e mostrando um leve asco, ganham logo a confiança das elites, com as quais contam para o sustento de seus jornais ou profissão, ainda que, na prática, o Presidente Silva seja aquele que lhes têm dado as melhores subvenções.

Para mim, pouco importa se um caso assim seja ou não verdade. Do mesmo modo que para meu amigo Richard Rorty pouco importava se Clinton tinha tido ou não um caso com Mônica Lewinsky. O que o Presidente Silva faz sexualmente com homens e mulheres não me afeta em nada – mesmo que seja, agora, com algum dinheiro dos meus impostos. Caso não seja muito, eu tolero. Portanto, se Lula, neste seu aniversário de 64 anos, fizer uma orgia, a única coisa que eu reclamaria, mesmo, seria se ele tentasse tirar a roupa da Dilma. Neste caso, aí sim, eu me sentiria ofendido. Não suportaria saber que o gosto do Presidente Silva, dos tempos de sindicalista para agora, pioraram tanto. Afinal, é o meu Presidente! É o Presidente do meu país!

Aos 64 anos, Lula pode comemorar como quiser. Inclusive, se quiser aos 64 testar um 69, não sendo com Dilma, que ele não deixe passar barato. Meu desejo é que ele viva bastante, com saúde, e que por mais que tenha mudado, por mais que tenha até aprendido a falar errado, coisa que ele não fazia nos tempos de sindicalista, que ele não perca de todo a sensibilidade social que um dia acreditamos todos que ele tinha. Justamente a sensibilidade social que ninguém acredita que Dilma tenha.

Essa sensibilidade social foi o que elegeu Lula como Presidente Silva. FHC havia arrumado o país com a estabilidade financeira, mas faltava a ele uma melhor compreensão da pobreza, coisa que também faltava e ainda falta ao Serra. Por isso, Lula se tornou o Presidente Silva. Nem mesmo seu tropeço desastroso no episódio do “Mensalão”, que nos mostrou seu pouco apreço pela democracia, fez o povo se afastar dele. Nem mesmo sua completa adesão ao estilo de Brizola, de um populismo que segue o “vale tudo” e que desmente a origem do PT, macula sua aliança com os vários setores intelectuais que, antes, diziam odiar tal tipo de política velha. O Brasil deixado por FHC era um Brasil tão carente, tão pobre, que Lula o dominou sem qualquer política econômica de grande porte, apenas com um pequeno aumento do mercado interno, na base de uma intervenção antes assistencialista que assistencial.

Assim, Lula hoje, aos 64 anos, pode comemorar. Ele é o Presidente Silva. Só uma coisa o atrapalha. Ele quer que seu sucessor seja de uma família pouco nobre, não tão importante quanto os Silva. Ele quer nomear presidente os da família Souza. Aí já é demais!

Lula acredita que pelo fato dele ter nascido Silva e ter virado o Presidente Silva, ele pode pegar um outro João-Ninguém e fazê-lo presidente. E pegou o Souza da política, ou seja, Dona Dilma. Ele tinha Marina e Ciro, de linhagem partidária e de esquerda, mas preferiu ficar com o que nada representava a não ser a mediocridade. Por que? Claro, a razão simples é que Dilma, segundo Lula imagina, não tem brilho próprio e, então, uma vez no poder, seria controlável. Por outro lado, Dilma faz parte “do esquema”, ou seja, está ligada à parte da esquerda com que Lula mais se identifica: o setor construído pela burocracia criada por Zé Dirceu. Além do mais, Dilma, eleita, ao final do mandato abriria mão de uma segunda candidatura em favor do próprio Lula. Eis aí todos os motivos do Presidente Silva para escolher o candidato Souza.

Há quem diga que, desse modo, Serra já é o futuro Presidente do Brasil. Talvez, talvez. Isso sim é preocupante. Pois, talvez Serra jamais tenha pulado por sobre um garoto de bunda de fora, mas não por virtude e sim apenas pela falta de coragem, pelo medo de ser visto e, pior, pela idéia de que poderia ter de gastar comprando, depois, algum remédio para a hemorróida do efebo.

Paulo Ghiraldelli Jr. filósofo http://ghiraldelli.pro.br

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